Sempre há o mar, e a brisa e a o rosto delicado ao entardecer.
Sempre.
Eu não ligo para o mar. Nunca reparo na brisa...
Acho mesmo que todas essas características de um amor perfeito e inesquecível não são pra mim.
As minhas lembranças mais vívidas são as que vivi comigo mesmo. É estranho, não?
Talvez eu seja a pessoa mais egocêntrica que você já conheceu. Só eu consigo me proporcionar momentos de felicidade.
Mas daí eu penso em quem só consegue ser feliz as custas dos outros. Quem de certa forma usa os outros como fontes de felicidade.
E aí fico em dúvida. Quem é mais egoísta?
Procuro auxílio, uma busca rápida, para esclarecer uma palavra que por ser tão utilizada perde um pouco de seu sentido real.
egoísmo
subst m egoísmo [igu'iʒmu] acto de pensar apenas em si próprio
Continuo no mesmo ponto.
Ambos se encaixam na definição.
Eu posso ser incrivelmente hipócrita e afirmar que pelo menos o meu ato egoísta só faz mal, se é que faz mal, a mim mesmo.
Mas é só uma desculpa. É só uma justificativa. Eu não realmente me importo com o fato de fazer bem ou mal aos outros. Seria uma grande contradição se me importasse, não acha?
Para chegar a uma conclusão inconclusiva, portanto, posso afirmar que sou sincero, ao menos.
Sim, sinceridade se aplica. Embora inútil, se aplica.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
Três segundos.
Andava um tanto distraída, como sempre. Como sempre nos últimos meses. A distração era abstração de tudo o que era difícil de ser encarado no momento. As vezes uma coisa ou outra chamava a atenção, uma conversa que entreouvia no intervalo entre uma música e outra - "Ele sempre diz que não vai fazer mais isso e faz de novo." - "Eles sempre dizem.", pensa. E pensar sobre aquilo que o mundo acabou de lhe apresentar já é motivo para que dele se ausente mais um pouco.
Neste dia, como em todos os outros, andava procurando - ou encontrando - motivos no mundo para flutuar pela abstração necessária. Um dia como outro, num lugar que conhecia não tão bem mas que a memória havia guardado. Estava guardado o sentimento. Pouco importavam nomes de ruas, lojas e as cores das casas. Estava guardado o lugar, sem detalhes e inexplicavelmente inesquecível.
E foi numa rua dessas sem nome, ao passar por algum lugar irrelevante, num daqueles momentos de contato com o mundo exterior que o inexplicável da memória se fez claro, como só pode ocorrer quando o objeto rememorado se apresenta, confronta, indelével e imutável.
A abstração passou a ser rapidamente impossível. A gravidade veio implacável, todos os ruídos do mundo pareceram se juntar naquele momento e de repente uma multidão aparecera quase que convocada para presenciar o momento.
Havia ela, memória, gravidade, ruídos, multidão,lembrança indelével e um sinal vermelho.
Três,
dois,
um.
Ela,sinal verde, multidão, ruídos, gravidade,lembrança indelével.
Ela, multidão, lembrança indelével.
Ela, lembrança.
Ela, gravidade implacável.
Ela.
Neste dia, como em todos os outros, andava procurando - ou encontrando - motivos no mundo para flutuar pela abstração necessária. Um dia como outro, num lugar que conhecia não tão bem mas que a memória havia guardado. Estava guardado o sentimento. Pouco importavam nomes de ruas, lojas e as cores das casas. Estava guardado o lugar, sem detalhes e inexplicavelmente inesquecível.
E foi numa rua dessas sem nome, ao passar por algum lugar irrelevante, num daqueles momentos de contato com o mundo exterior que o inexplicável da memória se fez claro, como só pode ocorrer quando o objeto rememorado se apresenta, confronta, indelével e imutável.
A abstração passou a ser rapidamente impossível. A gravidade veio implacável, todos os ruídos do mundo pareceram se juntar naquele momento e de repente uma multidão aparecera quase que convocada para presenciar o momento.
Havia ela, memória, gravidade, ruídos, multidão,lembrança indelével e um sinal vermelho.
Três,
dois,
um.
Ela,sinal verde, multidão, ruídos, gravidade,lembrança indelével.
Ela, multidão, lembrança indelével.
Ela, lembrança.
Ela, gravidade implacável.
Ela.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Elegy*
I wanted someone to love.
You wanted someone to fuck.
We tried to fit each other into the roles we desired.
I guess nothing good could ever come out of that.
And even though I wanted to say that none of us is wrong, I can't.
For my intentions were always clear.
*Sort of
You wanted someone to fuck.
We tried to fit each other into the roles we desired.
I guess nothing good could ever come out of that.
And even though I wanted to say that none of us is wrong, I can't.
For my intentions were always clear.
*Sort of
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Eu vou me acostumar. Um dia eu vou.
Um passo pra isso é não deixar que atitudes baseadas em impulsos momentâneos guiem as minhas atitudes.
Estou aprendendo, assim como todo mundo.
Um passo pra isso é não deixar que atitudes baseadas em impulsos momentâneos guiem as minhas atitudes.
Estou aprendendo, assim como todo mundo.
domingo, 7 de junho de 2009
Se domingo tivesse uma trilha sonora seria "Blues do elevador", do Zeca Baleiro.
Estou viva, sem computador e sem capacidade/tempo de escrever alguma coisa que preste.
Volto já.
Estou viva, sem computador e sem capacidade/tempo de escrever alguma coisa que preste.
Volto já.
domingo, 3 de maio de 2009
Sobre a vida daqueles que observam.
Todo mundo conhece a frase de Lavoisier "Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma". E isso, acredito eu, se aplica também às idéias. Algo em que sempre penso é na originalidade das idéias. Eu persigo a originalidade. E acima de tudo a admiro, em tudo.
Ler um livro totalmente diferente de todos os que já li, ouvir algo com uma sonoridade totalmente diferente do que está sendo feito no momento, ver um filme que é simples e, no entanto, completamente inovador ou simplesmente ouvir alguém com idéias diferentes... Tudo isso me faz parar pra observar, me chama a atenção como poucas coisas conseguem e me faz pensar 'Por que eu não pensei nisso antes?'.
Seguir o fluxo é cômodo, seguro, fácil. E entediante. Acredito que não seja entediante para todos. Para quem o faz e ainda assim recebe elogios certamente não é. Para quem o lê/vê/ouve e está tão distraído que sequer nota, muito menos. Mas para aqueles que observam pode ser altamente entediante e frustrante. Tudo adquire o mesmo tom. A expectativa de encontrar algo diferente se torna cada vez menor.
Um observador pode até mesmo, algum dia, acreditar ter poderes mediúnicos, dada a sua capacidade de prever o que vai acontecer no futuro. Tudo igual, nem 'bom' nem 'ruim'. Igual.
Um observador pode até se sentir obrigado a criar o novo. Pode ser que crie, porém nunca acreditará que o fez. E ser copiado, é o que de pior pode lhe acontecer.
É muito difícil ser um daqueles que estão na ponta dos pelos do coelho, como diria o filósofo de "O mundo de Sofia'.
Eu me definiria uma observadora por vezes distraída. Me preservo para não deixar que esse mundo apático me sufoque. Eu tenho a necessidade de criar o novo, de ver o novo. Acho que uma palavra melhor do que 'novo' seria 'único'. Eu quero o surpreendente. E para o caso de alguém tentar copiar as minhas medíocres tentativas de originalidade, por mais medíocres que sejam, me apego ao fato de que enquanto aquele que imita precisa de alguém para criar o seu 'novo'/'único' eu sempre poderei mudar e criar o que eu quiser, quando desejar. E isso me faz sentir mais livre.
Ser alguém que observa é por vezes solitário e triste mas é o preço que se paga.
Se é justo, não sei dizer.
Ler um livro totalmente diferente de todos os que já li, ouvir algo com uma sonoridade totalmente diferente do que está sendo feito no momento, ver um filme que é simples e, no entanto, completamente inovador ou simplesmente ouvir alguém com idéias diferentes... Tudo isso me faz parar pra observar, me chama a atenção como poucas coisas conseguem e me faz pensar 'Por que eu não pensei nisso antes?'.
Seguir o fluxo é cômodo, seguro, fácil. E entediante. Acredito que não seja entediante para todos. Para quem o faz e ainda assim recebe elogios certamente não é. Para quem o lê/vê/ouve e está tão distraído que sequer nota, muito menos. Mas para aqueles que observam pode ser altamente entediante e frustrante. Tudo adquire o mesmo tom. A expectativa de encontrar algo diferente se torna cada vez menor.
Um observador pode até mesmo, algum dia, acreditar ter poderes mediúnicos, dada a sua capacidade de prever o que vai acontecer no futuro. Tudo igual, nem 'bom' nem 'ruim'. Igual.
Um observador pode até se sentir obrigado a criar o novo. Pode ser que crie, porém nunca acreditará que o fez. E ser copiado, é o que de pior pode lhe acontecer.
É muito difícil ser um daqueles que estão na ponta dos pelos do coelho, como diria o filósofo de "O mundo de Sofia'.
Eu me definiria uma observadora por vezes distraída. Me preservo para não deixar que esse mundo apático me sufoque. Eu tenho a necessidade de criar o novo, de ver o novo. Acho que uma palavra melhor do que 'novo' seria 'único'. Eu quero o surpreendente. E para o caso de alguém tentar copiar as minhas medíocres tentativas de originalidade, por mais medíocres que sejam, me apego ao fato de que enquanto aquele que imita precisa de alguém para criar o seu 'novo'/'único' eu sempre poderei mudar e criar o que eu quiser, quando desejar. E isso me faz sentir mais livre.
Ser alguém que observa é por vezes solitário e triste mas é o preço que se paga.
Se é justo, não sei dizer.
sábado, 18 de abril de 2009
Verses of comfort assurance and salvation.
A música sempre teve imensa importância na minha vida. Eu sou o tipo de pessoa que tem uma música (ou até uma trilha sonora) pra cada momento da vida. O ano de 2004, a época do pré vestibular, o primeiro período da faculdade, grande decepção amorosa #1, #2, inverno do ano de 2008...
Tenho também músicas que são adequadas para cada situação. Atualmente a minha trilha sonora tem o título deste post 'Verses of comfort assurance and salvation'. Este é também o título de um álbum da banda Au Revoir Simone, que faz parte da 'trilha', obviamente.
No momento eu quero músicas que me façam sentir feliz e coberta por um ededom fofinho numa tarde de sábado, mesmo que eu esteja num ônibus lotado numa segunda feira. Sim, músicas podem fazer alguém se sentir assim.
A maioria das músicas é twee ou power pop com pararas e palminhas. x)
Hoje, ouvindo 'Do what you wanna do' da Acid House Kings no ponto de ônibus pensei que seria a música perfeita pra uma cena de musical. :}
Taí o vídeo.
Tenho também músicas que são adequadas para cada situação. Atualmente a minha trilha sonora tem o título deste post 'Verses of comfort assurance and salvation'. Este é também o título de um álbum da banda Au Revoir Simone, que faz parte da 'trilha', obviamente.
No momento eu quero músicas que me façam sentir feliz e coberta por um ededom fofinho numa tarde de sábado, mesmo que eu esteja num ônibus lotado numa segunda feira. Sim, músicas podem fazer alguém se sentir assim.
A maioria das músicas é twee ou power pop com pararas e palminhas. x)
Hoje, ouvindo 'Do what you wanna do' da Acid House Kings no ponto de ônibus pensei que seria a música perfeita pra uma cena de musical. :}
Taí o vídeo.
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